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Ministra quer escolas abertas à sociedade civil PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
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Escrito por Pedro   
Segunda, 30 Janeiro 2006 01:04
A ministra da Educação defendeu hoje que as escolas públicas do primeiro e segundo ciclos devem abrir-se à sociedade civil e permitir a realização de actividades que ocupem os alunos nos seus tempos livres.

"As crianças a partir das três da tarde têm de continuar a ser da responsabilidade da escola, mesmo que sejam outras instituições" a dar-lhes o "enquadramento curricular", através de parcerias público- privadas, defendeu a ministra, Maria de Lurdes Rodrigues.

No discurso de encerramento do 2/o Congresso da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), a governante mostrou-se preocupada com a falta de dinamismo dos estabelecimentos públicos de ensino, que não têm ofertas pedagógicas adequadas às necessidades das crianças e das famílias.

"Todos os agentes serão poucos para cumprir este desafio", afirmou, considerando que o actual quadro conduz a que as opções de ocupação dos tempos livres dos alunos se reduzam à "rua ou à televisão".

Lançando críticas ao sector público do ensino pré-escolar, Maria da Lurdes Rodrigues defendeu uma maior utilização dos equipamentos públicos através da participação da sociedade civil.

"Hoje temos uma rede vasta de equipamentos" que "são uma oferta útil importante e na maior parte dos casos de qualidade", podendo acolher projectos da sociedade civil para ocupação dos tempos livres.

"Em todo o país, temos escolas novas, com bons equipamentos", que "não podem fechar às três da tarde", mas devem estar abertas, com "mais apoios e mais actividades para as nossas crianças", concluiu a ministra, apelando às IPSS para participarem neste esforço de modernização do sector.

No plano pré-escolar, a ministra recordou a importância das Instituições Particulares de Solidariedade Social no apoio ao ensino pré-escolar, que atinge já 80 por cento da população.

"Um dos segredos do êxito da política educativa" nesta área "está sem dúvida associado ao facto de terem sido envolvidas as instituições de solidariedade social", considerou.

A rede pública do pré-escolar abrange apenas metade das crianças, cabendo a responsabilidade de parte restante à sociedade civil, recordou a ministra, que nota falhas na oferta de formação do ensino do primeiro ciclo.

"Aquilo que temos hoje é um primeiro ciclo que não está adaptado" e "não responde às necessidades actuais das crianças e das famílias", afirmou.

Trata-se de um "ciclo abandonado, disperso e reduzido ao mínimo" num "horário que não é compatível com nenhuma outra instituição da sociedade portuguesa".

Os estabelecimentos públicos do pré-escolar "copiaram do primeiro ciclo aquilo que o primeiro ciclo tem de pior", não se constituindo como uma "alternativa pedagógica".

A resposta à insuficiência do primeiro ciclo está encontrada pela ministra na "iniciativa" da sociedade civil e das IPSS, que criaram "uma rede extensa de equipamentos", denominados Actividades de Tempos Livres (ATL's).

"O país desistiu das escolas públicas, talvez cansado de esperar que a escola pública mudasse", afirmou.

Fonte: Lusa